A garota passa com sua mini esvoaçante. Feita de tecido leve, a saia ondula ao sabor do vento e, quando sobe, deixa à mostra uma belezura de coxas de dar gosto. Sabedora de sua beleza morena, Zuleica olha para o rastro que deixa atrás de si e diverte-se com o estrago que causa. Há uma fila de moços e velhos hipnotizados, inebriados pela brejeirice da moça e pelo andar cadenciado, acompanhado pelo vai-e-vem dos longos cabelos crespos.
É um quadro digno de um pintor, construído pincelada a pincelada.
Quando desaparece, fica no ar um perfume de flores do campo que arrasta alguns seguidores mais afoitos. Certa de seu poder provocador, continua sua caminhada, já nem sabe mais para onde vai, mas isso pouco importa, o que vale é a alegria que espalha para os que podem ver e sentir.
É a juventude, predicado passageiro, mas que enfeita o mundo. É como um jardim com flores recém abertas, exalando cada uma o seu perfume característico e com muito apelo sensorial.
Zuleica é uma dessas flores, recém aberta, cheia de perfume e beleza. Saltita entre outras, nem tão perfumadas, já com menos cores em suas pétalas e com seus caules cansados de segurá-las. O tempo delas está passando e com isso tornam-se menos atraentes. E, por fim, há aquelas que já caíram, sem viço e sem nada. Mas Zuleica, no alto de seus 18 anos, não percebe o entardecer de suas semelhantes, vê apenas o raiar de um lindo sol brilhante, é o seu tempo que não passou ainda.
A juventude é tudo de bom, quando nela estamos mergulhados o tempo não conta, e a distância entre ela e o entardecer da vida parece imensurável. Por essa razão, Zuleica não entende o desfolhar de algumas flores que caem obedecendo ao tempo que já passou e, menos ainda, as que já cumpriram todas as etapas e se aquietam num canto qualquer.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
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