Os shoppings ficam abarrotados ás vésperas de Natal. As pessoas enlouquecem! Caminham pelos corredores com olhos fixos nas vitrines, como se de um momento para outro saltasse a sua frente aquilo que tanto desejam. E o que desejam? Não sabem. Mas é preciso, é véspera de Natal, é preciso ir ao shopping comprar alguma coisa! Todos vão! "Você já foi ao shopping?" Pergunta dona Clarice. "Ainda não tive tempo, mas vou sem falta esse fim de semana" Responde dona Gertrudes.
Ao embalo das músicas natalinas, todos precisam de um sapato novo, um vestido da moda, um espremedor de frutas, uma coleira anti-pulga para o cachorro, e, por que não um colchão com bolinhas, que massageia a coluna. Dizem que é muito bom.
O garoto afobado puxa a saia da mãe e diz: "Manhê, é esse que eu quero. Vai, compra!" E a mãe para ajeitar as coisas, diz "Já encomendei ao Papai Noel". O menino, meio desconfiado, volta-se para a vitrine, depois para a mãe, e assim sucessivamente, até seu "desejo" desaparecer na esquina do próximo corredor.
O marido, cercado pelos filhos- três - e mais a esposa, escorrega mais que sabão diante dos pedidos natalinos da família: "É, podemos ver depois, vamos pesquisar os preços antes". E os olhos dos "pedintes" vão ficando embotados, desesperançados, cheios de indagações!
Na euforia dos tempos natalinos, há um desejo frenético de mudar. Tudo se torna velho, gasto, antigo e de mal gosto de repente. É preciso comprar e comprar, carregar pacotes e mais pacotes, sentir-se cansado, conseguir um espaço para andar, reclamar do atendimento nas lojas, e, por fim, sentir-se livre ao deixar o shopping e voltar para casa com a alma leve, na certeza da realização das boas compras feitas.
Enfim, é Natal. Abrem-se os presentes e aos poucos toda aquela euforia vai se desvanecendo. O olhar é outro, muito mais crítico, e a garota percebe que a mini que ela escolheu não é tão mini assim; aqueles lindos sapatos da vitrine agora apertam os pés, e o soutien para levantar e dar um ar de garota, como mostrava a vitrine, não funciona para dona Matilde. E, veja só, o senhor Rubens sente-se aprisionado dentro das cuecas modernas que a mulher o aconselhara comprar "Vamos deixe de lado aquelas sambas-canção que tiram qualquer tesão."
Porém o senhor Rubens não se adapta ao moderno, volta à moda antiga, e as devolve à mulher e diz para ela desaparecer com aqueles "cintos de castidade" que lhes tiram a liberdade de ir e vir.
Bem, pacotes abertos passa-se para o segundo ato: comer e comer, tudo de uma vez: peru combinando com leitão, farofa com maionese, macarronada, salada etc., etc... Muito vinho, cerveja, uísque; enfim, tudo a que se tem direito. Depois vem a sobremesa: pudim, bolo de nozes, pavê de amendoim, nossa! Quanta coisa boa!
"Acho que agora é hora de descansar um pouquinho" Diz o chefe da casa, afinal o estômago também cansa. Quando acorda já é muito tarde e o Natal, já passou. "Até me esqueci de hoje é Natal!"
Triste realidade; a data em que se comemora o nascimento de Jesus transforma-se em dia de receber presentes, comer, beber e descansar. A verdadeira alegria que deveria aflorar em todos os corações pelo maravilhoso acontecimento fica em último plano. Assim é o ser humano: valores externos sobrepujam os valores internos e sufocam a voz da alma.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Adoro suas crônicas mamis deveria escrever mais.
Postar um comentário